O suporte do horizonte

Puxo uma cadeira e sento-me em cima da mesa para ver melhor.

O horizonte propõe-se como um mundo de possibilidades,

numa visão que transcende a minha inconstância.

Roubo as imagens que vejo e sinto-as só minhas

à espera que alguém fora de mim as entenda.

Bah! A mesa tem os pés encurtados!

Quem me dera ser carpinteiro.

Quem me dera conseguir unir aos pés dessa mesa

os acrescentos rápidos e eficazes, certeiros

com a habilidade e perspicácia de quem sabe.

De quem não tem dúvidas que sabe.

O Universo sabe, não é?

Não é?

Então deixo-me ir.

Parto, galgando socalcos mentais onde apoios os pés. Os meus pés.

Largo medos, largo tudo e subo com avidez e fome.

Uma fome tão grande que me faz voar.

Que me faz ver e deliciar com mais do que o superficial.

O mundo que sei;

O mundo que não consigo abraçar;

Desconfio que vou ter de levar a mesa para outro lado.

Mas por que raio insisto em mexer na cadeira?…

Aurora Buzilis

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