Subtilezas

Podia-se lamber sem reservas esse ar asséptico

com que atiras as tuas facas!… Tão puro!

Contam-se pelos dedos duma mão as vezes

que o contaminaste com  remorsos.

Claro!… Isso causaria atrito nas ideias

que tão incisivamente queres espetar.

Seria no mínimo constrangedor, não?

Doces e constrangedores momentos,

que fogem da linha de partida das lâminas

e apetece deixar escorrer pelos lábios. Saboreando…

Estou farta que me venhas atazanar quando já nada mais resta de nós.

Nem sequer te posso mostrar, porque nunca verias. Faz-me rir.

Deves perder horas a afiá-las, com todo o carinho e cuidado.

Com longo olhar dedicado.

O mesmo olhar que  me viras quando te entregas a mim.

Gosto de facas.

Algo no brilho, não sei.

O frio do metal e o calor que provoca…

E foi isso que me deste. Sou grata.

Aproveitei para ir limando algumas arestas, que me impediam de crescer.

E cresci!  …  Incisivamente cresci.

texto Aurora Buzilis | foto @ Kutlu

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