Desconfianças luminosas

A caneta que nos escreveu não era azul.

Certamente também não seria preta.

Talvez nem exista relevância na cor,

até porque desconfio, não seria tinta. Desconfio que era luz.

Mas a luz pode ter cor. Desconfio que era todas as cores.

A caneta que nos escreveu tinha asas,

como se a força de um anjo a fizesse mover.

Como se a energia cósmica saudasse o texto de nós.

Fomos escritos na linha longínqua do horizonte,

palavras de perder de vista, numa caligrafia

que apenas Deus entende.

Desconfio que apenas Ele entende.

A caneta que nos escreveu é mágica

e dela desabrocha a imperfeição.

No cerne, a eternidade que rima:

rima como rimam as estações do ano,

o sol e a lua,

o céu e a terra,

a emoção e a razão…

Perfeitamente.

A caneta que nos escreveu, desconfio, tinha luz.

Luz universal.

E essa luz continua em constante transformação.

Com ela crescemos; com ela dançamos.

Na linha do horizonte, que nos viu nascer,

movemo-nos num bailado estelar e cíclico.

Seguimos cada qual, o seu caminho idílico.

Separadamente.

Desconfio que ainda nos vamos voltar a cruzar.

Desconfio, não!… tenho a certeza.

texto Aurora Buzilis | foto @ internet (fonte desconhecida)

 

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