Os sons também ficam

Os sons conseguem, por vezes, ser tão marcantes como os aromas que nos entram pelo nariz e cativam as nossas células cerebrais, ficando impressos nos ficheiros mais recônditos, prontos para serem abertos perante um qualquer e determinado estímulo, levando-nos numa fracção de segundos por uma viagem sensorial e de associação a algo tangível.

Há sons perturbantes, tipo o do autoclismo a meio da noite (durante o dia não tem mal), que se crava nos neurónios a pontos de os fazer quase explodir de tão desnorteados (grrrrrrrrrrr). O som (irritante e nervosinho) de um líquido a cair num recipiente (FFffffSSsssttttt). Há sons que pura e simplesmente ficam gravados para sempre…. O som da chapa de um carro a bater com violência noutro carro; por sua vez o som da minha cabeça a bater com violência no vidro, para onde é projectada. Ou mais recentemente (por incrível que pareça) o som do corpo de um pombo já morto a explodir debaixo do pneu de uma carrinha de um condutor desatento ou imbecil. O som do cigarro a cair no chão, quando atirado. O som de um beijo dado na testa de uma pessoa já sem vida…

Por outro lado, mais agradável, o som do beijo dado na boca de quem se deseja. O som que ressoa através do olhar dessa pessoa, enquanto busca mais…

Sinto os sons a apurarem-se dentro de mim. Tal como os cheiros, os sons marcam, ficam, criam significado. Pelo menos é uma consciência que tenho vindo a desenvolver.

E do outro lado o silêncio…

foto @ internet (fonte desconhecida) 

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