Reunião de emergência

Os meus guias estavam todos reunidos a deliberar sobre mim. Falavam como se eu não estivesse presente e a forma como comunicavam entre eles, quer fosse por palavras, quer fosse por gestos ou olhares, não me passava despercebida.

Sentada junto à fogueira, cujo calor nem sequer conseguia sentir, ía tentando ultrapassar a sensação de desconforto causada pela situação constrangedora. Ora mexia nos paus e com eles juntava as brasas, ora reproduzia exactamente o mesmo processo, mas ao contrário, numa tentativa vã de me distrair e passar o tempo. Tirando o fogo, não me apetecia mexer em mais nada. – Era bom que ele durasse, pensei eu.

Ao mesmo tempo, sentia o ar de resignação, que pairava estagnado sobre a minha cabeça. Sabia para o que tinha ido, tinha ido de livre vontade, e a minha livre vontade era resultado da consciência da minha indignidade. Sim, era merecido. Algo não batia certo em mim, e mesmo com a ajuda, sempre presente, deles, tinha conseguido desviar-me do meu caminho. Da minha essência. Sentia-o com toda a força do meu Ser… uma desilusão.

Voltei o meu olhar na direcção daquela roda de guias em fúria, imbuídos na sua conversação acesa, e as expressões carregadas fizeram-me sentir um aperto no estômago. – Dava voltas à cabeça para poder chegar à minha própria conclusão antes deles, para lhes provar que conseguia lá chegar por mim. Mas era inútil. Sentia-me pressionada e pequenina. Não consegui.

Concentrei assim, a minha atenção no lume, quando, subitamente, vi surgir diante dos meus olhos uma pequena salamandra, que se mostrou numa pequena dança para mim. As salamandras ou espíritos do fogo são seres elementais, que nele habitam e tornam-no visível no mundo terreno. A sua força é positiva e são capazes de bloquear as forças negativas ou não produtivas.

Já tinha ouvido falar desses seres, mas era a primeira vez que via um tão distintamente. Diria que me estava a tentar distrair. Apoiar. Parecia sorrir para mim e piscava o olho. Sorri de volta e senti um calorzinho bom a percorrer-me. A sensação foi tão agradável que fechei os olhos e tomei consciência da minha energia. Tranquilamente. Agradeci-lhe esse momento tão especial e ela desapareceu, com a mesma rapidez com que tinha aparecido.

Nisto, senti uma forte presença junto mim… Era Sírius, um dos meus guias. A reunião tinha terminado e havia uma mensagem para me transmitir. O momento que eu tanto aguardava tinha finalmente chegado.

Ávida, preparei-me para receber humildemente a mensagem tão importante e a esperança apoderou-se de mim.

Aurora Buzilis

 

2 Comments Add yours

  1. clara diz:

    Fiquei suspensa na leitura….

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