O ar que respiras

Flutuas no ar que respiras,

sem ligação à terra.

Perdes-te em movimentos rápidos

e desnorteados.

Bates com a cabeça no vidro,

que colocas entre ti e o arco-íris

que queres alcançar.

Não vás, fica.

Expira, inspira.

Expira pelas raízes, longas e profundas,

dos troncos que permanecem

bem lá no fundinho de ti.

Inspira pelas folhas das árvores

que se agitam,

bem lá no alto de ti.

Fica, não vás.

Sente o balanço da brisa no teu cabelo,

finca os pés na terra,

espalha os teus braços ao infinito

e dança os amanheceres.

Respira. Fundo.

Lentamente.

Permanece, não flutues.

O ar que respiras não é teu.

Expira, inspira.

Sente.

O ar que respiras não é teu.

Volta.

 

Aurora Buzilis | arte @ Beata Bieniak

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