Ao ritmo de um bailado mental

Eu não pertenço aqui

Eu não pertenço a mim

Sinto-me fria e distante de tudo e de todos

Sinto-me quente e próxima de nada e de ninguém

Encaixes perfeitos que não fazem sentido.

Quero partir

Quero ficar

Quero sentir

Estou farta que falem comigo e não digam nada,

que mostrem e não sejam nada.

Não tenho armas para esta guerra,

Tenho outras velhas e gastas e ultrapassadas.

Não me apetece isto

Apetece outras coisas

Outros mundos

Outras conversas

Outras coisas como as que tenho.

Não quero que olhem para mim,

mas quero que me vejam.

Não quero que me agarrem,

mas quero que não partam.

Sou bicho estranho

Sou todos os bichos num, estranho.

Verdade crua e perversa.

Sou intemporal, mas sigo um compasso,

que me arrasta e marca o limite e me dispersa.

Comida pelo tédio

Dualidades que chocam

Ideias que desaguam na minha praia mental

Vêm e vão, vêm e vão

Ao ritmo das marés de concentração tão fraca.

Desejos sensoriais, à sombra da lua de luz emprestada,

contornos, jeitos abstractos e vazios por preencher

quase, quase, quase…

Dentro de mim, sei respostas às quais preguiço encontrar.

E a música!…

É a música que me embala e me leva pelas estrelas,

enquanto o monstro, belo, me agarra, firme,

me envolve e me guia nesse bailado sideral.

Me dança

Me leva

Me come…

Sou intemporal, mas sigo o compasso

e ao ritmo das forças que escapam,

teimo em chegar atrasada.

Aurora Buzilis

foto @ Alison Scarpulla

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