Procura-se…

Assombração de ideias, conjunto disperso de imagens, de sentimentos,

de sons, de ruídos, que ganham espaço dentro de mim.

Apetece-me o alívio de quem não sente o peso daquilo que não compreende

e no entanto não consegue senão alimentar-se disso,

como se fosse a única maneira desgraçada de se agarrar à razão.

A razão não faz sentido. É maldita.

Observo-me à distância de vários ângulos, de várias formas,

formas essas que se tomam através de quem não me observa a mim,

de quem olha para mim e não me vê. Sou maldita!

Dentro de mim fervo, entro em ebolição e não explodo, nada sai, e passa…

Nem a água que retenho egoisticamente, punindo-me de não sei o quê;

de não percebo bem o quê.

Nem essa água me salva! Me alivia. Me faz sentido! Maldita…

Farta, procuro o alívio de uma razão que não faz sentido e me pune,

e não sai, e não passa e me ferve no sangue, e me assombra.

A razão não faz sentido. É maldita!

Aurora Buzilis

foto @ Alison Scarpulla

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