Folha em branco

Ter uma caneta na mão e uma folha em branco à frente é sinónimo de estímulo e satisfação. Uma perfeita companhia, num desdobramento de mim própria.

Uma folha vazia é sinónimo de espaço para preencher, de liberdade para viver, de partilha, conjunto de ideias e raciocínios que se transformam num ser, o outro meu Ser, os outros, tantos outros! Dialogamos. É um diálogo que se cria, que por sua vez se torna gerador da própria criação.

A folha de papel em branco sou eu, mas lá podem existir várias formas, ideias, mundos reais ou irreais… Todo o potencial de uma folha em branco. Que fascínio!

Esse potencial martela-me… eu conheço-o mas não o enfrento. E sei porquê. Raios de consciência. É estranho porque não tenho receio, não me intimida, não me assusta, é-me de algum modo familiar, mas… é branco. Não me preocupo, não me zango, sou-lhe grata e sinto-lhe o peso. – Devo ignorar é o peso. A pressão. O processo dói-me.

É conhecimento comum que o escritor é um ser solitário, mas terá mesmo de ser assim?… É que começo a chegar à conclusão que não queria: concordo.

Pendurada com o potencial, entre o querer e não querer … Pondero se quero pagar um preço tão elevado. Acho que sempre o ponderei.

Dualidades…. as dualidades matam-me. Um dia morrerei no limbo delas todas.

“Não há nunca suficiente solidão ao redor de quem escreve.”  Franz Kafka

Aurora Buzilis

foto @ Herve Guibert

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