A leveza das penas

Carrega em braços os ponteiros que marcam a hora

do momento em que verá as lágrimas caírem.

– Será libertador! – Pensa.

O peso deixará de existir e o rio que correr,

levará por arrasto as mágoas, que escolheu esconder de si própria.

Durante décadas, sentidos contrários e experiências superficiais.

Tão superficiais, quanto transformadoras. E depois existiram as profundas…

Caminha em direcção à leveza das penas,

à pureza das águas, à profundidade dos céus.

Vai tropeçando nos ponteiros, que leva e curiosamente,

é nesses ressaltos que eles avançam. Mais.

– O mundo está diferente! – Exclama.

E o tempo escasseia. É preciso ir mais rápido, acelerar a libertação.

O peso torna tarde o que a alma anseia.

– Ah! Ao menos se eu não soubesse! Lamenta.

E volta ao seu trajecto. Escuta o som do tempo a passar

e questiona-se sobre o momento.

– O momento será o certo. Nem antes, nem depois! – Alegra-se.

E as lágrimas que caírem serão pétalas no leito do sítio onde irá repousar.

Com a leveza das penas, a pureza das águas, a profundidade dos céus.

E sorri….

Aurora Buzilis

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