Intocável

Terapias há muitas. Maneiras e ferramentas de exorcizar demónios, curar maleitas da alma e da mente, do coração, etc… Dito assim soa um pouco a medieval, mas essas problemáticas existem, são reais e o que interessa é que se faça por melhorar e alterar o negativo para positivo. Passa também por encontrar o método que melhor se adequa às necessidades pessoais e apelos de bem-estar. Basicamente é seguir a intuição (mais simples!), evoluir e viver melhor.

Há um método que até  gosto bastante de utilizar, bem ao género de “As palavras que nunca te direi” do fofinho Nicholas Sparks, que consiste em escrever num papel as palavras cruas e duras daquilo que sinto, que me apetece dizer a alguém e não posso ou não devo, de sentimentos negativos dentro de mim que quero transformar em positivos, por aí adiante…. *As palavras que nunca te direi, porque elas são concebidas mas nunca mostradas.

Dá-me prazer este método porque para começar, escrever tem em mim um efeito bastante terapêutico, e depois o bonito espectáculo de ver o fogo devorar as minhas palavras escritas, de ver flamejar o papel onde depositei os meus sentimentos, ideias e desabafos.  O fogo e o seu poder de limpeza e transformação. Elevação das energias. E de certo modo até funciona…. com atenção vejo isso.

Recentemente escrevi uma carta que gostei imenso de escrever. Uma carta queimada. Não a vou transcrever, já lá vai e não interessa, mas a última frase que escrevi mexeu comigo, dentro de mim. E fiquei a pensar nela…. Vinha-me várias vezes à cabeça em movimentos de maré. Penso: talvez seja mais uma definição que acrescentarei às definições de mim:

“(…) Lamento, mas eu adoro tocar o intocável.”

– faz-me sorrir. E a bem dizer, não lamento nada. Nunca o poderia lamentar. E quem priva comigo e se mantém ao meu lado, apesar dos meus defeitos e especificidades, também o compreende ou pelo menos aceita. E aceitarem-me e respeitarem-me como eu sou é meio caminho andado para me terem como fiel e devota companheira e amiga. Até porque não tenho o péssimo hábito de achar que estou bem, como estou. Quero sempre, desde sempre sinto isso, ser uma pessoa melhor. E sim… adoro a impertinência de tocar o intocável, porque só assim o movimento se gera.

Aurora Buzilis

touch

One Comment Add yours

  1. clara diz:

    Bravo!!!!!!

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