A tribo dos sós

Desenham aleatoriamente a vida que os carrega pela ponta de um véu que é tão fino como os contornos dos seus corpos despidos e pálidos.
Querem as diferenças e lutam por elas. Não são compreendidos e também não se importam. Seguem pelos seus desvios e caminham por trilhos no qual não distinguem início nem fim. Caminham no ar. Voam sem as asas que tanto desejam ver abrir, para poderem observar do alto os rumos humedecidos pelo orvalho das manhãs eternas de solidão.
São parte do universo, cometas enlouquecidos num rasto invisível de cores luminosas e melodias longínquas que tocam fundo seus âmagos cobertos pela poeira cósmica que vão libertando em seus rastos e sobre a qual conversam à roda de uma fogueira mortal. Falam por enigmas pictóricos que atiram para o ar através de lufadas de brisa do mar e gaivotas perdidas em terra. Há sempre um prenúncio de tempestade.
Anseiam por se sentir íntimos de um mundo que afastam em prol de um prazer egoisticamente só… deles.
São abismo, horror e beleza. São coragem, egoísmo e pureza. São muitas coisas, consequência ou causa, e um dia distante, regressarão a este tempo envoltos noutra pele. Uma pele que tecem agora em fios de seiva das plantas de onde esperam um dia acordar, numa primavera amena e diferente de todas as outras primaveras que teimam não aproveitar.

Aurora Buzilis

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