De patas e mãos dadas: a Sintonia

Sigo no Facebook a página de Elizabeth Gilbert, a autora do livro Comer, Rezar, Amar, que deu forma ao filme com o mesmo nome. Não estando com muita atenção à dita página em particular, hoje deu-me para a espreitar. O facto é que tem sempre coisinhas interessantes e de algum modo aprecio a diversidade de partilhas e experiências que são lá colocadas. Ora dela, ora de seguidores. Viagens, reflexões, imagens, sorrisos…. É giro.

Bom,… Deparei-me com um post de segunda feira passada, da autora, no qual falava da morte do seu gato Clifford. Palavras de amor, saudade e gratidão por esse senhor felino, acabado de partir. Um senhor que um dia tinha sido recolhido da rua. E numa parte dizia assim (traduzo do inglês)…

“Em tempos conheci um monge na Índia, que me disse, que o papel kármico dos nossos amados animais de estimação (“parte da sua missão” disse ele) é de entrarem nas nossas vidas como professores. São nos enviados, não só para nos ensinar a amar, como também para nos ensinar a morrer – porque eles fazem-no tão bem, com tamanha anuência. Nós precisamos destas lições, porque somos notavelmente avessos à morte, nós humanos. Temos tanto medo dela, tanta raiva, tanta revolta. Mas os nossos amigos peludos, eles vêm a morte de um modo diferente. E à medida que se vão afastando, eles tentam mostrar-nos, “Olha! Repara como eu faço: não é assim tão difícil. Só tens de deixar ir…”

Tão puro e verdadeiro. Eles mostram-nos tanta coisa e ensinam-nos ainda mais. Basta estarmos atentos.

Houve uma altura na minha vida que me fechei totalmente a nível emocional para o mundo, e só me conseguia abrir justamente para o castanhinho peludo que me acompanhava nessa altura. Já partiu. Dos meus braços. Suponho que no final da sua missão cumprida. Mais recentemente passou para um peludo e preto (com malhas brancas). Igualmente tresloucado e especial.

Olhando para trás, foram e são eles que me acompanham sempre nas mudanças drásticas da minha vida. Aquelas nas quais um dia se acorda e tudo está diferente. Mesmo tudo! E vão 3 grandes vezes…. Pirata (gato), Bóris (cão), Shaman (gato). Curioso. A passagem foi sempre feita com um deles.  (Também já tive uma aranha gigante de estimação, mas como não era peluda, penso que não deve contar…. Também não estou a ver nada que tenha mudado drasticamente nessa fase, tirando eventualmente o corte de cabelo, ou assim).

Tenho filosofado mentalmente sobre a morte ultimamente. Nunca me tinha acontecido, foi agora, mas sei porquê. Adiante. Mortes há muitas, tratando-se de filosofar. Além da morte física, que deu o mote ao post de Elizabeth e a citação do monge indiano, estas mudanças grandes na vida, que falo acima, também podem ser consideradas “mortes”, elas próprias. Daí fazer todo o sentido ter uns cúmplices peludos para acompanhar na passagem. Consigo ver como tudo encaixa bem.

E por essa via, lembro-me da carta de tarot da morte, que ilustro em baixo com a imagem agradável do Brad Pitt, no filme “Conhece Joe Black?” em que este faz o papel da personificação da morte. (Um filme maravilhoso!).

Brad Pitt como Joe Black no filme de 1998: Meet Joe Black
Brad Pitt como Joe Black no filme de 1998: Meet Joe Black

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta da MORTE  XIII – O Arcano das Transmutações e da Vida Eterna

PALAVRAS-CHAVE: Renascimento, Mudança, Novos nascimentos, Fechos, Transformação, Limpeza

EXPRESSÕES-CHAVE: Fim de um ciclo e começo de um novo, Libertar do passado e confiança em si próprio, Divergência de rumos, Conformação com a mudança

A morte. O fim. O fim de alguma coisa significa o início de outra. E como dizia o monge: “Só tens de deixar ir…”

Uma das lições dos nossos amigos animais, que nos ensinam a vermos mais além, com o coração. Porque é esse o caminho, não é? Eles ensinam-nos o Amor incondicional. O instinto. A natureza que está em nós. Que somos. A justiça divina.

Faz sentido.

Fico feliz de me ter lembrado de ir visitar a página da Elizabeth Gilbert, no Facebook…. Nada acontece por acaso, certo? 😉

Aurora Buzilis

 

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