Dash Snow revisited

Tenho uma especial predilecção pelos inconformados da sociedade, pelas chamadas ovelhas negras, por aqueles que procuram as saídas fora do sistema, por quem quer e tenta ir sempre mais além, puxa os limites… Mas como em tudo aquilo que o Homem toca, há sempre dois lados da questão: tão depressa uma qualidade, se pode tornar um defeito. Tão depressa se pode usar uma ferramenta para crescer, expandir e fazer expandir, como se pode usar a mesma ferramenta num modo destrutivo ou sofredor. As fronteiras tocam-se.

Não sei qual das partes do que disse acima, foi aquela que fez com que me interessasse por este homem. Até pode ter sido nada do que disse. Não sei…

Dash Snow Julho 27, 1981 – Julho 13, 2009
Dash Snow
Julho 27, 1981 – Julho 13, 2009

Conheci-o em 2009, quando li a notícia da sua morte por overdose. Dash Snow, morreu aos 27 anos (a par com Basquiat e outros jovens ícones da cena artística) num quarto de hotel, onde foi encontrado rodeado de vestígios de muito álcool e heroína. Era herdeiro de uma imensa fortuna, mas optou por fugir de casa muito cedo para encontrar e dar azo ao seu lado artístico e auto-destrutivo. Um “Baudelaire de downtown Manhattan” como era conhecido, obcecado por drogas, sexo e pelo momento. Controverso.

Na altura debrucei-me sobre a sua obra: Fotografia- Polaroids (que é algo que aprecio imenso), vídeos, colagens, instalações, entre outros – num desenrolar de cenas de sexo, uso de drogas, violência, glamour, pornografia e arte, retratando La vida Loca de um grupo de jovens artistas nova-iorquinos.

(Mais para o final, adquiriu a peculiar característica de usar o seu próprio esperma como material para os seus objectos de arte, num acto, por vezes, de rebelião contra figuras de autoridade.)

Marcou uma geração e o seu nome perdura no tempo. Acredito ser inspiração para muitos artistas (não só), deslumbrados pelas imagens juvenis, alternativas, rebeldes, por vezes chocantes, sempre tocantes.

Temas que giravam em redor da decadência, mas que Dash conseguia transformar em algo Belo.

Apesar de muito jovem, Dash deixou uma vasta obra em diversas plataformas e uma filha chamada Secret – cujo nascimento lhe provocou um despertar para a vida que levava, mas tarde demais.

Dash Snow mix
Dash Snow mix

Lembro-me deste artista de vez em quando e gosto de rever o seu trabalho e a sua história… Toca-me sempre e no fundo, penso nele como alguém especial, que teve de desaparecer do mundo e perder-se, para se poder explorar e encontrar… no final partiu. A experiência tinha sido concretizada e eram horas de partir.

 

Aurora Buzilis

2 Comments Add yours

  1. Victor Hugo diz:

    Muito forte! Mesmo!
    Seja de que maneira for, ter essa lucidez para não seguir o sistema e a rotina social e colocar em prática essa mesma lucidez, ter coragem (lucidez + coragem = loucura), é de admirar. Aqui esse acto de loucura é um rótulo da psicologia. O louco poderá ser o anormal, aquele que não está dentro da norma, que conseguiu fugir dela, nem que para isso lhe custe a vida. Aliás, é a vida que está em jogo. E aplicando aquela equação (isto não é assim tão matemático; não há formulas para isto, caso contrário estar-se-ia a sair de um sistema para ir para outro), nada mais importa do que a vida dá, experienciando-a como se fosse um derradeiro momento.

    Gostei, Aurora.

    1. Fixe que gostaste Victor, obrigada por teres deixado o teu pensamento.
      Pessoalmente, apenas lamento a espiral auto-destrutiva, mas compreendo que neste caso também isso fazia parte da experiência.
      beijos

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