A semântica de Deus

Um amigo perguntou-me se eu acreditava em Deus. Antes de responder tratei de saber o que era para ele Deus. O conceito varia e a resposta teria de ser dada consoante. Depois de o ouvir disse que sim, acredito em Deus. Ficámos conversados.

No que eu tenho dificuldade em acreditar é na humanidade. Na humanidade em mim e na humanidade nos outros. Sim, a humanidade deixa-me confusa e doi-me. E depois maravilha-me e confunde-me outra vez. E depois amo-a e depois odeio-a. E depois apetece-me escrever sobre ela e rasgar as folhas e chorar e sentir-me frustrada ao lidar com ela e sentir-me divina ao lidar com ela. E rir-me, porque no fundo a questão é lidar com ela. Rio-me… Talvez acredite nela, mas… e aceitar?

Há uma certa piada no sonambulismo humano. E isso também me confunde. Ou não. Acreditar. Aceitar. E isto são apenas palavras. E o resto?…. O resto é Deus, e eu acredito nele. Ou nela, a Deusa. Acredito nos dois. E sorrio. Porque já deixei de acreditar há algum tempo, simplesmente passei a sentir. Sentir. Acreditar. Aceitar. Palavras. Aceitar não, tanto que me doi. Um dia deixará de doer, acredito.

Semântica é o que nós humanos somos. Nós humanos somos semântica e Deus está no meio de nós a escrever e a rasgar folhas e a chorar e a sentir-se frustrado e a maravilhar-se e a rir e a lidar…. E doi-lhe. Porque não?

Aurora Buzilis

Caravaggio
Caravaggio

 

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