O vento e a transformação

Aurora sai de casa para fazer umas tarefas de fada do lar. Calha ser em plena tarde solarenga, mas é assim.

Os dias têm estado muito quentes, num pronúncio da chegada para breve do Solstício de Verão, e ao contrário das queixas de todas as outras pessoas, ela repara que se sente muito bem com essas temperaturas pegajosas. Já tinha saudades da energia soalheira, desse alimento do imponente deus Sol. De andar de chinelo no dedo e vestir pouca roupa. Dessa liberdade de movimentos e luz.

Após alguns passos, Aurora dá conta de um certo vento traquina, que se vai levantando de quando em vez, a pirolar numa espécie de voo desconexo e ri-se com a ideia de o achar semelhante ao voo dos trapalhões morcegos. Esses voos deles tão tresloucados que nunca se sabe ao certo onde é que vão dar. Talvez nem os próprios saibam lá muito bem. Continua caminho…

Que nome daria a um vento assim? Era mais forte que uma brisa e mais suave que uma ventania e vinha apenas algumas vezes, sem se fazer anunciar. No fundo queria apenas brincar com os seus cabelos e a sua pele, sensibilizada pelo calor.

– Que nervos! Grrrr – pensou ela logo a seguir, caindo num velho hábito…. – Nunca gostei de vento!!

De todas as forças elementares, esta era aquela que a perturbava. Deixava-a inquieta e com ela tinha sempre aquela sensação de “festa estragada”. Parou. Literalmente, parou! E nesse preciso momento chega-lhe uma revoada de aragem doce, firme e revigorante, que a faz inspirar profundamente e sentir os seus pulmões plenos de vida.

Naqueles instantes, que se permite saborear sem essa velha antipatia, Aurora sente-se inundada por doces sensações de frescura, de energia revigorante e de várias noções sobre a importância dessa força, o vento. De repente, foi como se ela lhe tivesse dado, ao vento, a oportunidade de ele se apresentar. De ele lhe mostrar a sua importância no Planeta, a sua função e o quanto ele a amava. A ela e a todos os seres da sua Terra Mãe. Mostrou-lhe as suas várias expressões, a importância do elemento Ar, ao qual todos damos por garantido e não atribuímos real atenção. Nem dentro de nós.

Juntos viajam pelos vários sítios geográficos que Aurora conhece e ele mostra-lhe, para a auxiliar a tomar consciência daquilo que já tinha reparado, ou que reparava sempre: o ar era diferente de sítio para sítio. Em alguns sítios era mais leve e fresco, noutros mais pesado e seco. Em alguns fechado, noutros acolhedor. Em alguns doce, noutros energizante, vibrante, em muitos outros simplesmente não reparava.

Aurora sente e maravilha-se com o que ele lhe mostra. Não lhe mostra a sua face de ira, mas ela percebe. No seu coração, ela percebe e regressa. Ao abrir os olhos desta viagem, olha em volta para ver se alguém tinha percebido, mas não havia viv’alma e continua o seu caminho com um sorriso enorme nos lábios e feliz por ter transformado aquela antipatia em amor. No fundo era seu desejo e já devia estar preparada pois ele veio para a ajudar.

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Se tudo for a nosso favor, essencialmente nós próprios,

na vida estamos em constante movimento, Transformação.

É assim que faz sentido para mim e é assim que vou apanhando os frutos de experiências enriquecedoras e construtivas. Experiências para me conhecer melhor, frutos para alimentar o meu crescimento e expansão da consciência.

Estou aberta à alegria de viver.

 | Relembrar aquilo que É e Integrar na totalidade aquilo que Sou, em essência individual e colectiva |

O meu trabalho é a pulso, consciente, saboreando cada pedaço de caminho, às vezes doce, outras vezes nada doce, mas meu e do qual já consigo mais facilmente não resistir, e já oriento melhor a minha mente, para que não me engane com dúvidas, ou desmotive com medos.

| Não criar resistência – permanecendo na verdade do Agora, seja ela agradável ou não. Quando permanecemos na verdade e a abraçamos, ela transforma-se. Quando fugimos da verdade (para o passado, o futuro, ou para falsas emoções, por ex.), ela apanha-nos posteriormente para nos confrontar. E quando regressa, já vem com “juros”. |

Fico mesmo feliz em constatar o quanto mudei, cresci, aprendi, libertei. Constatar que estou a atingir os meus objectivos mais ambiciosos, aqueles que um dia por instantes (me lembro) cheguei a pensar que seriam impossíveis de atingir e Celebrar o que Sou, no Agora…

| …com todas as batalhas vencidas e todas aquelas ainda por vencer. |

Aurora Buzilis

2 Comments Add yours

  1. liliana diz:

    “gosto” é pouco. gosto muito.

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