Buscar na História a Esperança

hildeVolta e meia, gosto de me relembrar, que mesmo nas trevas da Idade Média, em que a Igreja Católica galgava por cima da cabeça de todos os que se colocavam no seu campo visual (e mais além), sedenta de poder e controlo machista, houve raios de luz que penetraram pela sua densidade, para inspirar gerações futuras e deixar legados surpreendentes a iluminar caminho. Histórias de pessoas que quebraram barreiras, que foram mais além.

Sinceramente? Gosto de relembrar porque essa é uma das várias maneiras que encontrei para alimentar em mim a Esperança e para fazer as pazes com esses tempos conturbados… e com estes que vivemos também. Para curar feridas internas e puxar em mim, cada vez mais, a compreensão genuína e não da “boca para fora” de que, independentemente dos diferentes valores, crenças, religiões, atitudes, dogmas, perspectivas, etc… somos todos irmãos, estamos todos unidos Aqui.

Hildegard von Bingen (1098 – 1179) foi a décima filha de uma família alemã nobre de Rhineland, próxima de Maniz, onde ainda se podia sentir um pouco das influências Celtas. Aos 8 anos foi entregue a um convento para seguir a vida religiosa. Segundo os registos, era uma criança excepcional apesar da saúde débil, mas resistente a uma série de doenças que veio a sofrer. Começou muito cedo a ter visões místicas e a experienciar elevado grau de clarividência e premonições. Com receio das consequências, nunca falava das suas experiências transpessoais, mas registava muita coisa por escrito, dando azo mais tarde, a um livro chamado Scivias (Conhecer o Caminho). Com a morte da Abadessa que a criou no convento, Hildegard foi eleita a nova Abadessa em 1136.

Com uma energia notável e grande capacidade argumentativa, ela foi uma influência importante de consciencialização pública sobre religiosidade. Assertiva nas denúncias sobre a corrupção do clero na sua época, foi inúmeras vezes contra as leis eclesiásticas mais rígidas e viu mesmo a sua coragem ser fortemente atacada em vida, fazendo até com que o seu convento fosse interdito.

Mística, teóloga, filósofa, naturalista, médica, botânica, poetisa, dramaturga, compositora, escritora alemã, foi a primeira mulher a ser considerada uma autoridade em assuntos teológicos; a única mulher medieval a quem se concedeu o direito de pregar a doutrina cristã em público; a autora do primeiro auto sacro jamais escrito e o único dramaturgo no século XII que não permaneceu anónimo; a única mulher medieval a ser lembrada como compositora de um extenso e qualificado corpo de obras musicais; o primeiro autor a escrever sobre sexualidade e ginecologia de um ponto de vista feminino, e o primeiro santo a ter uma biografia oficial que inclui trechos autobiográficos. Todas essas realizações são extraordinariamente notáveis por ela ter sido uma mulher do século XII, mas não apenas por isso, as suas obras em todos os campos a que se dedicou têm um elevado mérito próprio independentemente do seu género. (in Wikipedia)

É giro notar, que apesar de Hildegard manter a sua humildade e submissão a Deus entidade masculina em seus âmbitos católicos, ela recusava atribuir a culpa do pecado original a Eva e muitas vezes se referia a Deus como uma mãe amamentando a criação e olhando pelos seus filhos. Procurou não negar, nem confrontar o masculino que se impunha pelo Cristianismo, mas sim encontrar um equilíbrio e harmonização entre os opostos.

Muito mais há para descobrir da obra e vida desta mulher interessante e lutadora. A banda sonora do meu dia foi essencialmente da autoria dela e fez-me vibrar de emoção, tocando em pontos da minha existência mais remota e chamando à luz uma tranquilidade e confiança em relação ao equilíbrio cósmico latente nesta invisível rede universal que nos envolve e liga a todos, seres humanos, apesar de tudo…

♫ ♬ ♭ Hildegard von Bingen – Music and Visions ♫ ♬ ♭

Aurora Buzilis

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