A água e a purificação

Aurora mergulha os pés na água do rio, junto ao sítio onde ele cai em pequena cascata para depois continuar o percurso delineado pelas pedras no leito e pelas folhagens verdes, que se debruçam sobre ele e o acolhem. A natureza é fértil ali! Que sítio bom para ficar.

Sente a temperatura da água e a sua força… Tudo é intenso! O som, o sentir. Mexe os dedos e desliza os pés pela superfície em movimentos circulares, numa brincadeira infantil. Contempla, antes de fechar os olhos e abstrair-se de tudo, menos dessa força enérgica que lhe sobe pelas pernas, lentamente e a vai preenchendo.

É de súbito que surgem umas companhias inesperadas! Ah!… Seres pequenos e dançarinos, de contornos femininos e translúcidos, esvoaçantes. Trazem consigo um nome que lhe ecoa no peito e mantém a vibração pelo resto do corpo, nas suas várias dimensões…. Ondinas. Ondinas. Aurora não lhes consegue perceber as feições mas distingue claramente os seus sorrisos e ouve as suas risadas suaves e cúmplices. E elas dançam junto à água e à volta dos seus pés. Dançam e esvoaçam e ali rodopiam delicadamente… Arrebatador, pensa Aurora! Simplesmente arrebatador!

Dali da água, sussurram palavras amorosas. Criam agitações e fazem-lhe cócegas. Aurora sente a imensa energia de amor e cura, colocando as mãos sobre o peito num gesto de reverência e receptividade. Sim, são irmãs, amigas, confidentes e assim lhes conta os seus segredos e lhes pede ajuda.

Ondinas. Ondinas. E as Ondinas dançam e dançam, escutando Aurora atentamente por entre sussurros e sorrisos, antecipando cada palavra que ela lhes conta e trabalhando com ela, nela. Ajudando-a. Elas sabem-na de cor… É surpreendente, como se já se conhecessem. Talvez nem precisasse de lhes dizer, elas já sabiam tudo. Elas sabem. A dança parecia já combinada. Uma sintonia perfeita.

Aurora e a festa de cor e magia em si e à sua volta. A circulação sanguínea a fluir nas veias como nunca antes. Sente-se abraçada e o processo de purificação começa e o peso começa também a aumentar. Quer respirar fundo mas não consegue. Quer largar, mas não consegue.

Pela água elas trabalham… Ondinas. Ondinas. E trazem consigo uma outra presença luminosa que toca Aurora no coração e lhe mostra… E as lágrimas soltam-se, finalmente caem-lhe pelo rosto. E o peso parece que começa a diminuir.

Ao ouvido o murmúrio:  – Respira fundo! Não sais daqui enquanto não respirares fundo.

“O amor abre-me, e aqui é só amor. A água purifica-me, e aqui é só pureza.

Dispo-me na sombra, para brilhar à luz.

Ondinas. Ondinas. Sou fogo, sou água. Elas sabem. Liberto-me. Fluo…”

– Irmãs, que bom ver-vos!

A gratidão.

Aurora respira fundo e volta.

“Renasci!”

– Irmãs, até breve.

Aurora Buzilis

ondinasss

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