Surreal

O que é que fazes com o tempo?

O tempo estica e encolhe, remexe e desaparece.

Poderia olhar para trás e tudo pareceria parar, ilusão

naquele vago esgar de infelicidade que se coloca sobre o que não

passa.

O tempo esmorece pendurado na palavra vã

nos saltos a medo e nas varas eléctricas do céu.

Gosto de ti. Não me custa dizer. Espera!…

Quero que o tempo avance para aquele lugar onde não se vê.

Sem medo de te perder de vista. Serias apenas um poro na minha pele.

Levar-te-ia para todo o lado.

E tu, gostas de mim?

Chamam-me indivisível. Seria loucura correr. Por mim, por ti.

Eu sou o tempo que perdes naqueles momentos em que me deixas passar.

A crueldade reside na tua mente. Talvez noutro lugar.

Se gostas, pára de me olhar! Eu morro. Sou desse género.

De morrer. As vezes que forem necessárias.

E tu, nem imaginas. Ah, porque o tempo, afinal existe!

Toca-me e vê se não é assim.

Quero que faças tudo comigo…

Aurora

surreal
fotografia de Alva Bernadine

 

2 Comments Add yours

  1. Surreal but wonderful 🙂

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