Quem és Tu?

Passar o tempo a ler/ver/absorver os pensamentos dos outros, impede de chegar aos próprios pensamentos. Não será? Pelo menos quando esse hábito rompe os limites da inspiração e passa a ser a base onde assenta a existência e expressão da pessoa.

Existe naturalmente o que ressoa dentro dela ou não, mas quando não se trabalha no sentido “dentro-para-fora” criando uma boa estrutura interna, é fácil ser influenciado por opiniões diversas e díspares, sendo que não passam mesmo disso: opiniões. O trabalho “fora-para-dentro” também é importante, mas não é o mais importante.

Como somos todos manifestações diferentes e específicas de uma fonte maior que nos liga e anima – é fácil entender, que cada um de nós poderá sentir, pensar e vivenciar a experiência Vida na Terra à sua maneira. Experienciar-se à sua maneira Aqui. E não será uma maravilhosa e nobre alegria dedicarmo-nos a dar asas a essa expressão? uma vez que a mais também não somos obrigados.

Infelizmente, o que se passa Aqui, é que se acaba por cair no erro de viver a Vida de toda a gente menos do próprio. Como? Pensa-se pela cabeça dos outros, vive-se para satisfazer as expectativas dos outros, responde-se na medida em que se acha que irá agradar ao outro…. a lista vai por aí adiante. Tal é enorme a necessidade de se ser validado e valorizado por uma sociedade que vive à margem de si própria e à sombra de manipulações governamentais e corporativas, religiosas, espirituais……

Mesmo quando se acha que se é muito rebelde e que sempre fez o que se quis…. (eu que o diga) …bem… a verdade é que os meus desejos e vontades estavam turvados pelos mais variados factores (que não interessam enumerar) e em muito estavam longe da minha Verdade interna. E chegando a esta conclusão, a minha rebeldia realmente foi usada para bons motivos e comecei esse trabalho que falo : “de dentro-para-fora”.

Contudo, e também isto é fantástico (not!), muitas vezes precisamos de fazer o caminho errado para perceber qual é o certo. Adiante…

Todos queremos ser Amados! A verdade é esta. Pelos pais, irmãos, amigos, depois os chefes, os colegas de trabalho, os parceiros, companheiros, cães, gatos, piriquitos…… Fazemos tudo para sermos aprovados. Para que ninguém se afaste de nós porque isso significa o caos (e que já não gostam de nós).

Qual a diferença entre estarmos próximos de alguém em presença, mas longe de coração E estar longe em presença, mas perto de coração? Como se pode trabalhar cada relacionamento de modo a alimentar-nos e a não desgastar-nos? Qual o mais verdadeiro?

Se calhar seria bom começar a ver as coisas através de uma dimensão mais profunda e a definir na Vida o que realmente se quer ou não. o que realmente se sente ou não. Andar ao sabor das ondas já não é muito sexy e é capaz de um dia, ao olhar para trás, pensar… não coisas boas.

Bem, pelo que sinto e pelo que vejo, o ideal seria começar por aquilo que os nossos pais fizeram o favor de não nos ensinar e continuam a não ensinar: primeiro respeitamo-nos a nós próprios e depois os outros. E já agora, que tal acima de tudo começarmos a amar-nos a Nós? Tudo aquilo que somos é suficiente e bom. Se tivermos de mudar alguma coisa, que seja porque chegamos à conclusão que já não nos serve e não para agradar a gregos e a troianos.

Se estamos mal num sítio saímos. Se estamos bem ficamos. Se algo nos agrada, que bom! Se não agrada, então temos bom remédio. Porquê forçarmo-nos a coisas que não chegam a lado nenhum e apenas nos desgastam? Que ganhamos com isso? Dinheiro? A aprovação de alguém?…..

As perguntas são óptimas aliadas que temos. E quanto mais impertinentes melhores.

Eu pessoalmente adoro quando me passam atestados de impertinência (e posso dizer que já me passaram alguns, uns deles de forma bem elegante – um mimo!) por fazer perguntas difíceis:

O que significa para ti ser feliz?

O que significa ser mulher/homem para ti? Enquanto mulher/homem, como te pretendes exprimir? As ideias que tens de como uma/um mulher/homem deve ser, são mesmo tuas, ou foram incutidas pela sociedade, pelos filmes, livros, exemplos na família?

Como passas os teus dias e as tuas noites? Apraz-te?

De onde achas que vem esse medo que tens de…? Quando começou?

O que pensas em relação a determinado assunto? E o que sentes?

Sabes qual a tua missão aqui na Terra? Achas que tens alguma? Qual o teu dom? Achas que tens algum?

Quem és Tu?

O autoconhecimento implica mergulharmos dentro de nós e sabermos as respostas a estas e outras perguntas. É trabalharmos connosco próprios. Claro! É giro ler, pesquisar outras ideias, inspirarmo-nos fora de nós e tudo e tudo, mas é muito mais giro começarmos a navegar em direcção à nossa própria essência. Cada um de nós tem a sua própria expressão, maneira de pensar e sentir.

Eu acredito que, basicamente, se todos nós fossemos verdadeiros connosco próprios (logo com os outros) no mundo tudo encaixaria perfeitamente e não haveriam mais guerras, desarmonias e tanta insatisfação.

Sim, porque a Natureza não se engana. A humanidade por outro lado, anda muito enganada.

Ou é só impressão minha?

Aurora

Escultura "Expansão" pelo artista Paige Bradley
Escultura “Expansão” pelo artista Paige Bradley

2 Comments Add yours

  1. A necessidade de sermos apreciados e amado faz parte da cola que nos mantém juntos, e sem andarmos ao estalo.
    Quem não sente essa necessidade é porque aborda a coisa pelo poder. Que é dominar e mandar nos outros, e dispensa a apreciação.

    Se fomos todos completamente verdadeiros, tudo encaixaria? Desconfio que a menos que o poder de encaixe também levasse uma grande volta, a coisa era capaz de acabar mal…

    1. concordo consigo Luís. Que é o Amor que nos mantém juntos, que nos une, que une Todas as coisas. É isso que quer dizer, não é? Não o amor que serve para preencher carências egoísticas, ou seja, necessidades, mas o Amor sem condições, uma vibração bem mais elevada do que aquilo que queremos fazer ver Aqui. Quanto mais nos conhecermos a nós, mais seremos virtuosos. Verdadeiramente virtuosos. Não? Não nos deixaremos dominar, nem tão pouco teremos Necessidade de dominar, porque aceitaremos e compreenderemos o fluir natural das coisas, sem criar resistências, nem julgamentos. Respeitando ritmos, movimentos, os outros, enfim a Vida…..
      Eu pessoalmente aspiro sempre a ser uma melhor pessoa e sei que quanto mais me conheço, mais gosto de mim e de tudo o que existe à minha volta. Quanto mais me limpo de ideias falsas (para mim), de crenças, pesos, medos, traumas e angústias, mais me sinto grata pelo que É e menos perco tempo com aquilo que poderia ser, poderá ser, nunca foi ou talvez fosse.
      É o caminho enfim, que escolhi. Houve o dia em que me fartei de ser masoquista e comecei a aproximar-me do que é Ser Eu.
      O modo como termino o meu texto, é uma impressão minha e por isso vale o que vale. Cabe a cada um de nós fazer o que acha melhor.
      No final há-de bater tudo certo. Ou não 🙂

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