*inspiração do dia.

De volta com este “tema”: a inspiração.

Desta feita, o livro Travessia para Avalon de Jean Shinoda Bolen. Uma das minhas leituras do momento. E que leitura!…

Contado na primeira pessoa (como tanto gosto) e com temas de fundo que me interessam: o mistério do feminino, jornada espiritual e lugares sagrados.

E sonho… sonho… sonho…. em poder viajar até todos estes sítios mágicos para senti-los, para me sentir neles.

Através das palavras de Jean, vou-me aproximando mais um bocadinho desta magia e reacendendo este pulsar ancestral que pulsa dentro de mim, nas minhas veias, no meu adn, no meu centro – de Mulher.

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“Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa, e se sentiu sarada e integral por causa desta. São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter sem palavras. Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal. É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe – como tudo o mais que é do foro feminino. Servimos de parteiras às consciências umas das outras. Quando, pela primeira vez, contamos a nossa verdade parece assustador e perigoso, mas torna-se cada vez mais fácil. Na medula da nossa experiência feminina colectiva, sabemos que há riscos.

Algures, nas nossas almas, rememoramos o tempo das fogueiras, em que as mulheres eram perseguidas e queimadas vivas como feiticeiras. Aconteceu em três séculos de Inquisição. Quando nos referimos, nos nossos tempos, ao “holocausto das mulheres”, sabemos que houve mais mulheres queimadas numa estaca do que as assassinadas com gás nos fornos nazis do holocausto da Segunda Guerra Mundial. Primeiro, queimavam-se vivas as parteiras por abrandarem as dores do parto (que iam contra o preceito bíblico de que as mulheres deviam sofrer), depois, as curandeiras, que sabiam usar as ervas medicinalmente, as mulheres que comemoravam a chegada das estações, as mulheres excêntricas, as mulheres com posses que alguém cobiçava, as mulheres que falavam sem medo, as mulheres inteligentes, as mulheres desprotegidas.

Essa memória colectiva tem um efeito igual ao de um trauma pessoal reprimido: torna as mulheres ansiosas quando descobrem as suas experiências sagradas e acham as palavras para as designar. Precisamos de coragem para contar o que sabemos.

Algures, nas nossas almas, lembramos uma época em que a divindade era chamada Deusa e Mãe. Quando nos transformamos em iniciadas nos mistérios femininos, então passamos a saber que somos portadoras de um cálice sagrado, que o Graal se manifesta em nós.”

Aurora

 

 

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